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COMO CUIDAR DA ORELHA DO SEU CÃO OU GATINHO.

A orelha dos cães e gatos e bem diferente da dos seres humanos.

Nossos amigos peludos possuem um longo conduto auditivo em forma de “L” que termina em contato com o tímpano, membrana que divide o que conhecemos por orelha externa da orelha média.

Com o intuito de manter limpas as orelhas dos nossos amigos, pecamos introduzindo hastes flexíveis  e pinças na expectativa de promovermos uma limpeza profunda e intensa. Essa técnica, também contra indicada em humanos, apenas empurra a cera para o extremo do conduto auditivo promovendo a formação de um grande tampão.

 

Vale lembrar que lobos, onças e outros animais selvagens não contam com um proprietário super atencioso para manter suas orelhas limpas e mesmo assim sobrevivem. A natureza é tão magnífica que a orelha possui mecanismo de auto limpeza e de proteção que nós, ao manipularmos de forma inadequada, apenas atrapalhamos. Alguém já parou para pensar que, se os pêlos existentes no conduto auditivo não fossem importantes ou prejudicassem os animais, a natureza, pelos seus mecanismos de seleção natural, já teria “concertado” esse defeito? Esses pêlos funcionam como proteção ao conduto, que nada mais é que um tubo de pele muito profundo , quente é úmido, e que, quando arrancados, inflamam imediatamente o local favorecendo a infecção por microorganismos existentes na própria pele do animal. Assim, essa técnica, infelizmente ainda adotada por muitos, é extremamente contra indicada.

Além dos pelos, a cera possui um papel importante para a manutenção da vitalidade da orelha e é produzida de tal forma que, centrifugamente vai sendo eliminada naturalmente pelo conduto, sem a necessidade da utilização de produtos com esta finalidade. Vale ressaltar que jamais deve-se aplicar álcool ou outros produtos não indicados para este fim, objetivando a  limpeza desta região tão delicada.

Por ser revestida por pele, a orelha externa também pode manifestar todos os problemas que observamos no resto do corpo do animal, o pior é que, por suas características de temperatura e umidade, esses quadros são potencializados.

Jamais o tratamento deve ser realizado de forma empírica. O uso indiscriminado de produtos otológicos contendo antibióticos pode levar a resistência bacterianas e outros efeitos colaterais devido a outros componentes da fórmula. Exames como a otoscopia, avaliação microscópica do material coletado do conduto auditivo, cultura e antibiograma, radiografias, tomografias, e até mesmo videoscopia serão indicados quando necessário para que a estratégia mais eficaz e adequada àquele paciente seja estabelecida.


Esp MV Cristina Sartorato
CRMV-SP 14597

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